domingo, 22 de dezembro de 2013

Capitulo 23

Acordei não muito bem e a dor de cabeça não passava. Me arrumei e fui dar uma volta, ali no prédio mesmo. Estava tudo muito bem, até uma forte tontura me tomar conta. Cai sentada e um moço me levantou, ele chamava Pietro, era novo no condomínio.
Pietro: Moça, tudo bem?
Eu: Ai, não foi nada.
Pietro: Tem certeza?
Eu: Sim, foi só uma tontura.
Voltei pro meu apartamento, estava muito fraca e não tinha fome. Sabia que era fraqueza, fiz uma vitamina com muitas frutas e bebi, já que nada comestível me descia.
Tomei um banho e recebi um sms de Bruna.
Bruna: Restaurante hoje?
Eu: Desculpa Brú, mas não to muito afim.
Bruna: Áh gata, vamos vai?
Eu: Não to muito bem.
Bruna: Então tá.
Ela nem se ofereceu pra vir aqui. Estava sendo abandonada era isso mesmo? Não sei nem que horas era, só sei que era tarde, muito tarde.  Fui dormir, mas meu celular tocou, era Lucas.
Lucas: Tá melhor?
Eu: Um pouco.
Lucas: Não quero te ver triste Nah.
Eu: Não se preocupe, vou ficar bem.
Lucas: Não tá dormindo?
Eu: To sem sono.
Lucas: Queria muito poder tá aí, pra fazer cafuné, mas o trabalho me chama.
Eu: Não quero que fique preocupado, eu to bem. Isso logo passa.
Lucas: Você gosta dele né?
Eu: Acho que sempre gostei.
Lucas: Fica triste não tá? Eu deixei uma coisinha dentro de uma caixa que tem ai em cima da sua cômoda.
Abri a caixa e vi que era um ursinho.
Eu: Que fofo Lucas.
Lucas: Ele tá com meu cheiro. É pra você não se sentir sozinha.
Eu: Obrigada, vou dormir agarradinha com ele.
Lucas: Quero que me ligue se qualquer coisa acontecer viu? Não importa a hora.
Eu: Já disse pra não se preocupar.
Lucas: Fica bem princesa, e não esquenta não, ele não sabe o que ta perdendo.
Eu: Obrigada por estar aqui quando ninguém mais está. Eu gosto de você.
Lucas: Eu também gosto de você e é pra sempre.
Eu: Fica bem e juízo.
Lucas: O que ele come?
Eu: Ai idiota.
Lucas: Agora sim a Naiara está bem.
Eu: Por quê?
Lucas: Me chingou. –ele riu-.
Eu: Vou dormir tá? Beijos.
Lucas: Beijos.
Adormeci rapidamente agarrada naquele urso. Depois daquela ligação, me senti mais forte, era bom saber que mesmo distante ele não se esqueceu de mim, ligou na madrugada sem se preocupar se estaria acordada ou não.
Acordei quase uma hora da tarde, fiz minhas higienes e fui comer. Liguei pra Enzo e ele disse que eu estaria de boa por uma semana. Resolvi ir pra Londrina, precisava do colo da minha mãe, embarcaria quase de noite. Arrumei minhas coisas, tirei uma foto e fui pro aeroporto.
Londrina tô chegando! (y’
***
Cheguei em Londrina por volta das 23:30 o voo atrasou. Tinha um grupo de meninas ali, apreciam esperar por alguém. Á claro, o Luan, só podia ser ele. Fui em busca de um táxi, mas a coisa tava difícil, queria ligar pra minha mãe, mas ela estaria dormindo. Alguém me cutucou, olhei e era o segurança do Luan.
Wellington: Quer carona?
Eu: Muito obrigada, mas estou esperando um táxi.
Wellington: Naiara você não vai encontrar um táxi aqui essa hora, é melhor aceitar a carona.
Eu: Mas que cidade é essa que nem um táxi disponível tem?
Wellington: Aqui não é São Paulo. –ele sorriu-.
Resolvi aceitar. Entrei na Van e cumprimentei Rober e Guto, preferi sentar no fundo pra evitar ter que olhar pra cara do Luan. Logo chegamos e eu fui pra minha casa. Como tinha uma cópia da chave, entrei e fui me deitar, claro que com Luan em mente.
Acordei. Fiz minhas higienes e fui tomar café.
Cíntia: Meu amor.
Ela me abraçou.
Eu: Mãe.
Paulo: Filha.
Ele beijou minha testa.
Eu: Pai.
Cíntia: Porque não me avisou que viria?
Eu: Mas eu cheguei na madrugada.
Cíntia: E nem avisou?
Eu: Queria fazer surpresa.
Paulo: Na madrugada?
Eu: Não gente, era pro voo chegar umas oito horas, mas atrasou.
Cíntia: E você veio do que pra cá?
Eu: Estava esperando por um táxi, mas não aparecia, aí vim na Van com Luan e o pessoal.
Paulo: Londrina tá um saco pra táxi na madrugada.
Eu: Percebi isso também.
Terminamos de tomar café e minha mãe me chamou pra ir pro shopping, claro que eu aceitei, queria curtir a semana toda ela.Passeamos bastante e almoçamos no shopping mesmo. Pedi pra ela bater uma foto minha antes de irmos embora.
Mamis fotógrafa! Beijoo
Voltamos pra casa, fui ver TV e minha mãe veio falar comigo.
Cíntia: Filha.
Eu: Oi.
Cíntia: O Luan esteve aqui esses dias atrás.
Eu: O que ele queria?
Cíntia: Veio conversar comigo e seu pai. Disse que vocês tinham discutido mais uma vez, ele estava confuso, disse que te procuraria.
Não sabia se contava pra ela, queria muito guardar pra mim, mas não dava mais.
Eu: Eu sei mãe. Esses dias ele esteve em casa, a gente conversou civilizadamente, até...
Cíntia: Até?
Eu: A gente transou de novo.
Ela se espantou.
Cíntia: Naiara.
Eu: O quê? Ele estava desconfiando dos meus sentimentos, queria provas.
Cíntia: E precisava ser assim?
Eu: E você queria que eu fizesse o que?
Cíntia: Tudo bem, mas estão de boa então?
Eu: Não.
Cíntia: Filha...
Eu: Mas a culpa é dele. A gente não tem nada, o Lucas foi almoçar em casa, ficaríamos todos juntos e ele desfez de tudo. Ficou emburrado e foi embora dizendo que tinha compromisso.  
Cíntia: Então, ele tinha compromisso.
Eu: Eu sei que não tinha mãe. Não sei o que deu nele. Depois me ligou falou um monte, ainda chamei ele pra ir pra balada e ele não quis. Mandei sms, mas não adiantou nada.
Cíntia: Talvez ele tenha cansado né?
Eu: Cansado? Eu fui na madrugada fazer uma visita inesperada e lá estava ele, com Rober, Guto e mais três mulheres.
Cíntia: Você nem sabe quem eram elas, de repente eram amigas.
Eu: Amigas? Duvido muito.
Cíntia: Você tá com ciúmes?
Eu: Tô mãe. To com ciúmes sim, eu disse pra ele que o amava e to ganhando decepção em cima de decepção.
Cíntia: Você parou pra pensar em como ele tem sofrido esse tempo todo? De todas as vezes que você o maltratou tudo por culpa de não admitir pra si mesma que era apaixonada por ele?
Eu: Eu sei que sou culpada.
Cíntia: Pois bem, você colhe o que planta.
Eu: Custava ele ser um pouco mais compreensivo?
Cíntia: Pensasse antes de fazer tudo o que fez com ele Naiara, as coisas não são assim. Ele sofreu muito.
Eu: E eu não né?
Cíntia: Porque quis, se tivesse admitido antes, as coisas não estariam assim.
Eu: Eu sei que sou uma idiota.
Cíntia: Não precisa ficar assim. Liga pra ele, conversa. Ele vai ficar a semana toda aqui, está sem show, a Marizete me disse.
Eu: Não sei, tenho medo de ser rejeitada novamente.
Cíntia: Não custa tentar.
Ela me abraçou e resolvi tomar um banho. Minha mãe estava certa, talvez eu pudesse concertar as coisas. Resolvi mandar um sms, com a letra de uma música dos ídolos dele: Zezé Di Camargo e Luciano. Chamava indiferença. Digitei e mandei.
Eu: Fala pra mim, diz a verdade, o que mudou assim tão de repente. Quero saber de onde vem esse medo que machuca a gente. Tá tudo errado, fogo cruzado, e a gente não consegue se entender. Porque não me telefona? Dê notícias de você, ligue ao menos pra dizer que o melhor é te esquecer. É a sua indiferença que me mata, é uma invasão um nó dentro de mim. Coração divide em dois na sua falta, uma parte é o começo a outra o fim. :’(
Entrei no banho e fiquei lá por uns longos minutos. Luan não respondia meu sms. Coloquei uma roupinha leve e resolvi dar uma volta, avisei minha mãe e fui em uma árvore que ficava perto do lago. Fiquei por lá pensativa até Luan chegar. Não sei como ele sabia que eu estava lá.
Luan: Posso?
Ele disse se sentando.
Eu: A árvore não é minha não é?
Ele forçou um sorriso.
Luan: Eu recebi seu sms.
Eu: Não respondeu.
Luan: Fui até sua casa, sua mãe disse que você tinha saído. Imaginei que viria pra cá.
Eu: Imaginou certo.
Luan: Naiara sobre aquele dia, as meninas.
Eu: Tudo bem Luan, você não me deve explicações não é mesmo?
Luan: Não é isso.
Eu: Olha me desculpe por esse tempo todo que eu te fiz sofrer, neguei pra mim mesma esse amor, e só te maltratei.
Luan: Não precisa se desculpar, o amor acontece.
Eu: Mas nem sempre é correspondido não é mesmo?
Ele me olhava desentendido.
Luan: Você pediu pra ir com calma.
Eu: Sim, só não imaginava que doeria tanto assim.
Luan: Eu não quero te fazer sofrer.
Eu: Acho que o problema sou eu.
Luan: Não precisa se culpar, a gente se entende, damos o nosso jeito.
Eu: Luan eu sinto sua falta, e aquele dia, eu fiquei muito magoada mesmo. Se é que me entende.
Luan: Não era essa a minha intenção. As meninas eram conhecidas e não aconteceu nada.
Eu: E se aconteceu eu também não preciso saber, a vida é sua.
Luan: Não precisa ficar assim.
Ele me abraçou.
Eu: Eu queria poder ficar aqui pra sempre.
Ele sorriu. Ficamos ali por um tempo e depois fomos embora. Pensei que rolaria algum beijo, mas não passou de um abraço. Ele estava estranho, não sei explicar, as atitudes, não era o mesmo.
Recebi um sms dele.
Luan: Vem aqui em casa?
Eu: Agora?
Luan: Meus pais saíram e eu to sozinho, janta aqui.
Eu: Vou falar pra minha mãe e já vou.
Luan: J
Avisei minha mãe e fui pra lá.
Luan estava na cozinha.
Eu: Você cozinhando?
Luan: Não sei fazer muito, mas acho que dá pra engolir.
Sorri.
Luan: Pega os pratos pra mim?
Eu: Pego.
Arrumei a mesa e logo ele serviu o jantar. Arroz, feijão, batata frita, ovo e salada. O arroz estava papo, a batata, quase queimada, o ovo estava bom até, deu pra comer.
Luan: Tá bom?
Eu: Não muito, mas dá pra comer.
Luan: Valeu.
Terminamos de jantar e fui lavar a louça.
Luan: Não lava não, deixa ai.
Eu: Luan depois seus pais chegam e vai tar essa bagunça toda.
Luan: Eu mesmo lavo, mas antes quero que venha aqui.
Ele saiu me levando pra área da piscina. O céu estava estrelado, era noite de Lua Cheia.
Luan: Quero ficar aqui com você.
Eu: Dentro da piscina?
Luan: Não, aqui.
Ele me levou até uma cabaninha. Lembrei de uma vez que a gente fez aquilo, éramos adolescentes, passávamos dias em barracas, fingíamos que era um acampamento. Ele me fez sorrir novamente.
Eu: Luan, você lembrou.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Luan: E tem como esquecer?
Sorri. Entramos lá dentro e ficamos papeando, lembrando da nossa adolescência. Já era um pouco tarde e eu resolvi ir embora. Luan me levou até a porta de casa.
Eu: Obrigada por ter feito isso.
Luan: Eu só quero te ver sorrindo, sempre.
Ele se aproximou e beijou minha testa. Procurei por seus lábios e depositei ali um selinho.
Fui pro meu quarto e adormeci, sorrindo, desta vez eu sorria.

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