quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Capitulo 39

Acordei com meu celular tocando, minha mãe não estava mais ali.
Eu: Alô?
Babi: Oi prima.
Eu: Babi quanto tempo sumida.
Babi: Pois é. Fiquei sabendo do que aconteceu com você, está melhor?
Eu: Mas a notícia já correu pra BH? Eu to bem graças a Deus e ao Lucas.
Babi: Áh que bom, Lucas?
Eu: É, um amigo meu.
Babi: Então foi ele o moço que te salvou?
Eu: Sim, mas quem te contou?
Babi: Tia Cíntia. Ela ligou pra minha mãe.
Eu: Dona Cíntia adora preocupar todo mundo mesmo.
Babi: Tava pensando em ir pra Londrina, aproveitar que você vai ficar por um tempo aí.
Eu: Sério? Vem sim, estou sem ninguém aqui mesmo.
Babi: Posso ir então?
Eu: Mas é claro que pode.
Babi: Amanhã embarco então.
Eu: Tá me avisa quando for chegar, vou pedir pra mamãe te pegar no aeroporto.
Babi: Tudo bem, beijos.
Eu: Beijos.
Desliguei.
Cíntia: Quem era? –disse se sentando no sofá do lado-.
Eu: Babi, ela disse que vem pra cá amanhã.
Cíntia: Que bom que ela vem, ao menos você tem companhia por uns dias.
Eu: É. Dormi muito?
Cíntia: Já são 19:50 você dormiu era três horas da tarde.
Eu: Nossa.
Cíntia: Tá na hora do remédio.
Eu: Porque esses médicos não inventam um modo melhor pra curar a pessoa? Ninguém merece ter que tomar remédio.
Cíntia: Mas você reclama demais menina, tem que ajoelhar e agradecer a Deus por estar viva!
Eu: E ao Lucas.
Cíntia: Verdade. Falar nisso, seu pai quer marcar um jantar com ele em casa.
Eu: Com quem? O Lucas?
Cíntia: Sim, ligue mais tarde pra ele e marque um dia desses.
Eu: Mais pra quê?
Cíntia: Ele quer conhece-lo, agradecer também, sabe como é.
Eu: Ai meu deus, só senhor Paulo mesmo. Falar nisso, cadê ele?
Cíntia: Só chega na hora do jantar.
Eu: Pra variar.
Cíntia: Tá me enrolando? Vai tomar remédio logo!
Eu: Já vou!
Fui pra cozinha e tomei o remédio. Depois fui tomar um banho e resolvi caminhar, aproveitei que tava claro.
Eu: Mãe vamos dar uma volta?
Cíntia: Agora?
Eu: É mãe, vamos vai.
Cíntia: Tudo bem, só me deixa avisar a Cida.
Ela saiu e logo voltou. Caminhamos por alguns minutos, pedi pra minha mãe tirar uma foto minha e postei pros teles.

‘’ Caminhar um pouquinho, pra ajudar na recuperação. #Nah #Dodói :/’’

Cíntia: Não cansa de fotos não?
Eu: Não, meu trabalho é fotos mãe.
Cíntia: Por isso deveria se cansar, sempre fotografando.
Eu: Mais eu não enjoo, eu amo meu trabalho, amo tirar fotos e vai ter que me aguentar assim pra sempre.
Cíntia: Antes tivesse escolhido trabalhar com seu pai.
Eu: Tá reclamando?
Cíntia: Não, to brincando.
Eu: Acho bom.
Cíntia: Agora vamos voltar, seu pai já deve ter chegado, depois do jantar você tem outro remédio.
Eu: Mais um?
Cíntia: Sim, é um depois do café da manhã, outro depois do almoço, um depois do café da tarde e um depois da janta.
Eu: Tudo isso?
Cíntia: Você perdeu uma criança, teve hemorragia e está com anemia, precisa de vitamina pra ficar forte logo.
Eu: Não me lembra que perdi um filho, falar nisso depois tenho que ligar pro Luan, ele ficou bem abalado.
Cíntia: Qualquer um no lugar dele ficaria filha.
Voltamos pra casa, meu pai já havia chegado, jantamos juntos. Ele insistiu em marcar um jantar com Lucas e eu não pude fazer nada. Depois de tomar o remédio, assistimos TV. Por volta das 22:40 fui me deitar, coloquei meu pijama e liguei pro Lucas, ele chamou meu pai de louco, mas aceitou, disse que viria no fim de semana. Depois liguei pro Luan e conversei com ele, pela voz parecia estar um pouco melhor, mas acho que ainda chorava, contei pra ele do jantar e ele ficou com receio, mas aceitou, afinal, a ideia nem foi minha e sim do meu pai.
Acordei com minha prima me balançando.
Babi: Acoooooooorda Naiara!
Eu: Ai menina já vai. –joguei o travesseiro nela-.
Babi: Nem foi me buscar né?
Eu: Minha mãe não foi?
Babi: Sim.
Eu: Então.
Babi: Como tá?
Eu: Bem e você?
Babi: Bem, tenho tantas coisas pra te contar.
Eu: Legal, vou me arrumar e já desço pro café.
Babi: Chata! Tabom.
Ela desceu e fui fazer minhas higienes, depois fui tomar café e tomei meu remédio. Enzo me ligou e disse que eu tinha fotos e que viria no sábado pra Londrina e faríamos ali.
Babi: E como tá o namoro?
Eu: Áh, tá indo né?
Babi: Sabia que isso daria namoro ainda.
Eu: Desculpa aí vidente. E você?
Babi: Eu o que?
Eu: Namorando?
Babi: Que nada, tava de rolo com um cara, mas não deu nada.
Eu: Porque não?
Babi: Ele era casado.
Eu: Menina, você é louca?
Babi: Mas eu não sabia, ele me disse que era solteiro.
Eu: E Tia Marta o que achou disso?
Babi: Mamãe quase enfartou. –ela riu-.
Eu: Você é maluca.
Babi: Que culpa eu tenho se ele me disse que era solteiro?
Eu: E como você descobriu que ele era casado?
Babi: Vi ele com uma mulher de mãos dada em um supermercado, e ele carregava um bebê no colo.
Eu: Nossa, imagino a cara dele quando te viu.
Babi: Ficou desesperado, me ligou de noite e eu resolvi parar de me encontrar com ele.
Eu: Só se mete em roubadas hein?
Babi: Acho que é sina.
Ela riu. Ficamos conversando a tarde toda, fomos pra piscina, colocamos o papo em dia.
--
Manhã de sábado e o dia estava Lindo. Fiz a sessão de fotos e voltei pra casa só de tarde, Babi me acompanhou e depois passamos no shopping. Enzo voltou no mesmo dia com a equipe de trabalho, porque tinha um evento pra ir, fiquei com dó deles, só tava dando trabalho, mas eu não podia ir pra casa, mesmo querendo. Peguei uma foto das que tirei na sessão e postei pros teles.
‘’A picture paints a thousand words it's true, but it's still not enough for how I feel about you...’’
Já de noite, me arrumei e fui esperar Lucas, ele viria jantar hoje. Pedi pra Babi tirar uma foto minha e postei pros teles.
‘’ Me preocupo, e apesar dos pesares eu sempre quero te ver bem..’’
Babi: Quem é Lucas?
Eu: Lucas Lucco.
Babi: Sério? –ela fez cara de espanto-.
Eu: Sim. –ri-.
Babi: Você conhece todo famoso cara, ele é muito gato.
Eu: Ai senhor, eu sei. Você nunca conheceu ele?
Babi: Como eu vou conhecer ele? Não sou famosa!
Eu: Eu também não sou famosa, nos conhecemos por acaso.
Babi: Claro que é, agora namorando o Luan Santana, tá mais ainda.
Eu: Af-revirei os olhos-. Não gosto que falam isso, parece que sou alguma interesseira.
Babi: Todos sabem que não é.
Eu: Olha, deve ser ele.
Um carro preto se encostou e ele desceu, Leandro também tinha vindo. Nos cumprimentamos e entramos em casa.
Eu: Pai, o Lucas chegou.
Ele cumprimentou meus pais e sentamos na sala. Eles conversaram muito, meu pai ficou agradecendo ele e tudo mais. Leandro não parava de encarar Babi e eu percebi que ele estava afim. Dei sinal pra ele e fui pra cozinha, ele veio atrás.
Leandro: Fala figura.
Eu: De olho na minha prima né?
Leandro: É... Mais ou menos, mais ou menos. –ele imitou o cara do pânico-.
Eu: Percebi seus olhares.
Leandro: Quantos anos ela tem?
Eu: 19.
Leandro: Nome?
Eu: Babi.
Leandro: Hum. Ela é bonita.
Eu: E porque não conhece ela melhor então?
Leandro: Ela não é explosiva é?
Eu: NÃO! Tá insinuando algo menino?
Leandro: Não sei uai, seis são primas, de repente.
Fomos interrompidos com Babi.
Babi: Vem cá, como você deixa seus pais sozinhos com o Lucas lá? Ele tá morrendo de vergonha.
Eu: Ai, ele já se acostuma, Leandro queria água.
Babi: E você não pegou?
Ele me olhou e rimos.
Eu: Pois é, ficamos conversando, pega aí pra ele que eu vou voltar pra sala.
Babi: Tudo bem.
Pisquei pra ele, creio que entendeu o recado. Minha prima nem sacou nada, eu acho. Voltei pra sala e continuamos conversando, depois serviram o jantar e comemos todos juntos, percebi que Babi e Leandro já tinham pegado uma certa afinidade.
Lucas: Nossa, que sufoco. –disse se sentando na beira da piscina do meu lado-.
Eu: Áh, que isso Lucas, meus pais são legais.
Lucas: Eu sei, mas ele me fez tantas perguntas.
Eu: Ele é assim mesmo.
Lucas: E você, como tá?
Eu: Áh, to melhor né?
Lucas: Que bom .Cadê Leandro?
Eu: Deve tar por aí com a Babi. –sorri sapeca-.
Lucas: Cachorro foi mais rápido.
Eu: Como assim?
Lucas: Eu ia investir, que pilantra cara.
Eu: Af, por favor, Lucas.
Lucas: Que é, tá com ciúmes da sua prima comigo é?
Eu: Tô, to com muito ciúmes. Amigo meu não pega minha prima.
Lucas: E porque o Leandro pode? Ele é seu amigo também.
Eu: Mas você é melhor amigo, e outra, não era a Laís até pouco tempo?
Lucas: Pra falar a verdade ainda é. – ele abaixou a cabeça-.
Eu: Levanta essa cabeça agora e me conta.
Lucas: Ela tá namorando.
Eu: Como assim?
Lucas: Uai ela tá namorando.
Eu: Quem?
Lucas: Um tal de Gustavo. Af cara, perdi minhas esperanças já.
Comecei a rir.
Lucas: Qual a graça?
Eu: Não pode ser quem eu to pensando.
Lucas: Você conhece o vagabundo então?
Eu: Vagabundo nada. É um amigo meu e da Bruna, Laís ficou com ele em uma balada á um tempo atrás. Posso dizer que a ajudei.
Lucas: Muito bonito, minha melhor amiga me traindo?
Eu: Traindo nada, você não era nem afim dela ainda.
Lucas: Foda-se.
Eu: Ela tava numa balada, não poderia sair sem beijar ninguém.
Lucas: Antes tivesse saído, ao menos poderia ter algo comigo agora.
Eu: E quem disse que ela não pode?
Lucas: Qual a parte do ELA TÁ NAMORANDO que você não entendeu?
Eu: Não seja por isso. Tenta conquista-la.
Lucas: Mas do que já tentei? Não quero estragar o relacionamento dela.
Eu: Não precisa estragar, vai se aproximando aos poucos.
Lucas: Já te disse que ela não me dá espaço.
Eu: Puta que pariu, Laís também hein?
Lucas: Se xingar ela eu te afogo nessa piscina.
Eu: Nossa, que medo de você.
Lucas: Me sinto bem perto de você.
Eu: Já eu me sinto muito incomodada com a sua presença.
Lucas: Nossa, depois dessa vou embora.
Eu: Brincadeira bobinho.
Babi e Leandro voltaram.
Lucas: Por onde estavam?
Leandro: Andando.
Lucas: Andando como?
Leandro: Com as pernas Lucas, cada pergunta.
Lucas: Não usaram a boca andando não?
Eu: LUCAS.
Leandro: Claro que usamos, fomos conversando não é Babi?
Babi: Claro.
Lucas: Sei.
Leandro: Não enche. Ale já ligou que daqui meia hora embarcamos pra Goiânia.
Lucas: Af, já temos que ir então.
Leandro: Por isso voltei.
Nos despedimos e eles se foram, Leandro e Babi trocaram telefone, sinal que se curtiram. Babi foi pro quarto de hóspedes e eu fui pro meu, troquei de roupa. Liguei pro Luan e conversamos por longas horas, quando desliguei era 3:35 da madrugada, em seguida fui dormir.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Capitulo 38

Escutei uma voz, era o Lucas, abri meus olhos e estava em um quarto de hospital.
Eu: Ai- disse colocando a mão na cabeça-.
Lucas: Ei calma, não faz força não.
Eu: O que eu to fazendo aqui?
Lucas: Cheguei no seu apartamento ontem e a porta estava aberta e você estava caída embaixo da estante de livros toda ferida.
Eu: Foi ele Lucas. –comecei a chorar-.
Lucas: Quem Nah? Não chora, vai ficar tudo bem, eu estou aqui.
Eu: O Gustavo, ele invadiu meu apartamento e me agrediu.
Lucas: Quem é esse Naiara? Você tá me deixando preocupado.
Eu: Liga pro Luan Lucas, por favor.
Lucas: Ele já esta a caminho, seus pais também. Mas me diz quem é esse?
Eu: Não dá pra explicar agora. To me sentindo um pouco fraca, minha barriga dói.
Lucas: Foi por causa da pancada, você perdeu muito sangue, teve hemorragia, precisou de doação.
Eu: Meu Deus, o que aquele monstro fez comigo, eu vou morrer.
Comecei a chorar desesperadamente.
Lucas: Calma Nah, você não vai morrer. Está tudo bem, a doação já foi feita, o médico disse que agora é só aguardar o resultado dos exames.
Eu: Lucas, quem doou sangue pra mim?
Lucas: Fui eu.
Eu: Você?
Lucas: Sim, nosso sangue é compatível, e eu pude fazer a doação.
Eu: Eu te amo. Você é o melhor, obrigado por tudo, você salvou minha vida.
Lucas: Eu também te amo, não precisa agradecer, fiz mais que uma obrigação.
Eu: Sempre cuidando de mim, não sei se estaria aqui mais hoje se não fosse você.
Lucas: Por favor, descanse Nah. Depois peço pro Luan vir aqui, assim que ele chegar.
Eu: Tudo bem.
Meus olhos se fecharam e eu adormeci. Quando acordei novamente, Luan estava ali sentado ao meu lado.
Eu: Luan?
Luan: Oi meu amor. –ele me deu um selinho-.
Eu: Foi ele Luan. Foi ele que fez isso comigo.
Luan: Quem Nah? O Lucas me falou, mas não sabemos o que aconteceu.
Eu: O Gustavo Luan. Ele invadiu meu apartamento e me agrediu.
Luan: O GUSTAVO? NÃO PODE SER, EU VOU MATAR AQUELE DEGRAÇADO!
Ele deu um soco na parede.
Eu: Calma, não adianta mais fazer nada.
Luan: Claro que adianta, ele quase te matou. Se não fosse o Lucas, nem sei se estaria mais entre a gente.
Eu: Me desculpa, eu não quero te fazer sofrer.
Luan: A culpa não é sua. Vou ligar pra polícia procurar esse filho da mãe, hoje ele não me escapa.
Eu: Não precisa Luan. Gustavo deve estar longe uma hora dessas.
Luan: Mas eu vou encontra-lo.
Fomos interrompidos pelo médico, ele veio com uns papéis na mão.
Dr. Ricardo: Como anda minha paciente?
Eu: Um pouco fraca, minha barriga dói.
Dr. Ricardo: É mocinha, seu estado foi grave, mas agora está fora de perigo.
Eu: Que alívio escutar isso.
Luan: O que deu os exames doutor?
Dr. Ricardo: Isso é um pouco complicado, poderia falar com você primeiro Luan?
Eu: NÃO! Não temos segredos um com o outro, pode falar.
Luan: É doutor, melhor falar de uma vez, é grave?
Dr. Ricardo: Não é nada grave, só uma anemia, vou passar umas vitaminas e logo você ficará boa novamente.
Eu: Remédios?
Dr. Ricardo: Sim Naiara, você não poderá ficar sozinha por um mês completo. E terá que fazer repouso.
Eu: Mas eu moro sozinha, sei me cuidar.
Luan: Naiara, você fica na casa dos seus pais, é até melhor.
Eu: Por causa de uma anemia?
Dr. Ricardo: Não é só por conta da anemia.
Luan: Tem mais alguma coisa?
Dr. Ricardo: Sim. Bom eu sinto muito em ter que falar isso, como uma estante caiu sobre você, à batida foi muito forte sobre sua cabeça e seu abdômen.
Eu: Sim, por isso minha barriga dói.
Luan: Tá, o que tem de mais?
Dr. Ricardo: Naiara me responda uma coisa. Você andou sentido enjoo, tontura por esses dias?
Luan me olhou rapidamente e eu engoli seco.
Luan: Naiara.
Eu: Sim, mas eu pensei que não era nada de mais. Até marcaria uma consulta pra fazer exames, mas nem deu tempo.
Dr. Ricardo: Então vocês não sabiam ainda.
Eu: Sabiam do que doutor? Estou ficando preocupada com tanto mistério.
Luan: Fala homem o que ela tem?
Dr. Ricardo: Eu sinto muito, você estava gerando um filho, ele tinha 1 semana e 5 dias de vida, mas ele não resistiu e você perdeu a criança.
Quando ele terminou de dizer aquilo entrei em desespero, comecei a chorar, Luan não sabia se me abraçava ou chorava junto.
Luan: Filho? Ela estava grávida?
Dr. Ricardo: Sim, eu sinto muito.
Eu: Não pode ser Luan. Ele matou meu filho. ELE MATOU MEU FILHO. –gritei-.
Luan: Calma, se acalma. Vai dar tudo certo. Eu não acredito que a gente ia ter um filho.
Dr. Ricardo: Eu sinto muito, mas não pude fazer nada. Amanhã você voltará pra casa. Depois a enfermeira passará pra você tomar os devidos medicamentos.
Ele se retirou.
Eu: Porque isso Luan? Por quê?
Luan: Calma amor, a gente pode ter muitos filhos, talvez não era pra ser.
Eu: Não era pra ser? Claro que era pra ser, mas aquele desgraçado do Gustavo matou nosso filho, ele matou nosso filho Luan.
Luan: Eu vou chamar seus pais, e vou entrar em contato com a polícia, ele vai ter o que merece.
Luan saiu da sala desnorteado, tinha certeza que ele choraria muito nos braços do Rober. Minha mãe entrou na sala, conversou muito comigo, me deu bastantes conselhos, o que me deixou mais forte.
Eu: Mãe a Bruna tá aí?
Cíntia: Sim.
Eu: Pede pra ela vir aqui?
Cíntia: Sim, mas fica bem tá?
Eu: Pode deixar.
Minha mãe saiu e logo Bruna entrou.
Bruna: Oi amiga.
Ela veio em minha direção e beijou minha testa.
Eu: Não precisa me tratar como coitada que eu já to bem.
Bruna: Credo Naiara, a gente tenta ser dócil e você reclama.
Eu: Também, você vem beijar a minha testa, parece que eu estou necessitada.
Bruna: Isso foi um modo de educação, significa que eu me importo com você.
Eu: Tabom, já entendi.
Disse pegando uma revista que tinha numa mesa do lado.
Bruna: Deu pra ler revistas agora?
Eu: Não, mas aqui não tem nada a não ser isso.
Bruna: Tá melhor?
Eu: Sim.
Bruna: Luan tá arrasado, ele mandou dizer que o Gustavo já foi pego, está na delegacia de Brasília.
Eu: Eu sinto muito, não queria ter perdido esta criança. Em Brasília?
Bruna: Não precisa sentir nada, você não sabia que estava grávida. Sim, ele ia fugir do país.
Eu: Cachorro.
Bruna: Já tirou uma foto?
Eu: Desse jeito? Num hospital? Nem a pau!
Bruna: E daí? Precisa avisar o público que está bem.
Eu: Não Bruna.
Bruna: Mas vai.
Ela pegou meu celular e tirou a foto, coloquei a revista sobre meu rosto e o resultado foi isso. Fui obrigada a postar.
‘’ Avisando que já estou melhor, foi um pequeno acidente, logo mais to de volta. Não tirei foto do rosto porque estou em uma situação desagradável. Beijo.’’
Eu: Satisfeita?
Bruna: Muito.
Eu: Lucas tá aqui ainda?
Bruna: Sim, ele tava chorando junto do Luan.
Eu: Chorando? Por quê?
Bruna: Você perdeu uma criança, quase morreu, queria que eles sorrissem?
Eu: Ai mais não precisa chorar, parece que eu vou morrer.
Bruna: Todo mundo chorou.
Eu: Até você?
Bruna: Claro garota. Minha melhor amiga quase morreu, queria que eu ficasse como?
Eu: Áh, melhor amiga?
Bruna: Ai você é insuportável sabia?
Eu: Nossa, mas eu não era sua melhor amiga até pouco tempo?
Ela revirou os olhos e eu cai na gargalhada.
Bruna: Vou chamar o Luan.
Eu: Não, pede pro Lucas vir.
Bruna: Mais e o Luan?
Eu: Acabei de falar com ele, quero ver o Lucas.
Bruna: Tudo bem.
Ela saiu e eu fiquei fuçando no meu celular, até ele chegar.
Lucas: Me chamou?
Eu: Sim, senta aqui.
Ele se sentou do meu lado.
Eu: Lucas, não quero te ver triste por minha causa.
Lucas: Você perdeu um filho Nah.
Ele deixou algumas lágrimas caírem.
Eu: Eu sei, também sinto por isso, mas eu estou viva, e graças á você. Isso é motivo de comemoração, não tristeza. O pior já passou, promete pra mim que não vai mais chorar por minha causa?
Lucas: Não posso prometer isso, você sabe que eu te considero muito.
Eu: Eu sei, mas me promete?
Lucas: Tá, eu prometo que não vou mais chorar, mas não por você. Só hoje.
Eu: Tudo bem, agora me dá um sorriso.
Ele sorriu de canto.
Eu: Assim que eu gosto.
Beijei seu rosto.
Lucas: Luan tá super mal.
Eu: Bruna me falou. O sonho dele sempre foi ser pai, e agora isso me acontece.
Lucas: O sonho de qualquer homem é ser pai. Você precisa dar forças pra ele, está em melhores condições.
Eu: Minha mãe conversou comigo e me fortaleceu muito. Pede pra ele vir aqui?
Lucas: Peço, e já vou mandar trazer algo pra você comer tá?
Eu: Mas eu não to com fome.
Lucas: Mas você tem que comer.
Eu: Tabom, não tem outra saída mesmo.
Ele sorriu e saiu. Logo Luan entrou, seus olhos estavam vermelhos e pequeninos.
Eu: Luan, não quero te ver assim.
Luan: Já passou, estou melhor. –ele disse passando a mão sobre o rosto-.
Eu: Eu sei que não está. Vem senta aqui.
Dei um espacinho na cama pra ele e ele se sentou.
Eu: Olha, eu sei que seu sonho é ser pai, sei que você desejava esse filho mesmo não sabendo da existência dele, mas ás vezes na vida é preciso passarmos por altos e baixos pra lá no fim vir a nossa vitória.
Luan: Eu sei disso Nah, mas é que foi tudo tão rápido. Eu fico pensando, era um ser inocente, não deu nem tempo de se formar e já foi embora assim.
Eu: Eu sei que dói, eu também sinto, dói muito. Mas foi a vontade de Deus, e se ele quis assim, é porque lá no fim algo muito bom, e melhor nos espera.
Luan: Eu te amo tanto sabia? Pensei que eu que teria que te dar forças, mas está sendo o contrário.
Eu: Eu também te amo. A gente se fortalece juntos, como sempre fizemos.
Ele me deu um longo selinho. Fomos interrompidos por uma enfermeira.
Ana: Olá, desculpe atrapalhar, mas tá na hora dos exames Naiara.
Eu: Tudo bem, mas vai doer?
Ana: Não, são coisinhas simples.
Luan: Vai lá vai. Vou te esperar aqui.
Ele me ajudou a levantar da cama e me colocou em uma cadeira de rodas.
Eu: Gente eu consigo andar, não preciso andar numa cadeira de rodas.
Ana: Mas todo cuidado é pouco, não está totalmente curada.
Luan: Para de ser marrenta menina.
Fui pra sala de exames.
-Luan Narrando-
Enquanto Naiara foi fazer seus exames resolvi postar uma foto nossa no meu instagram, era de 2010 mas tava valendo. Confesso que estava sendo muito ruim ter que me acostumar com a ideia de que ela perdeu um filho, o nosso filho, era horrível, mas era preciso aceitar, como ela disse, nós nos fortalecemos juntos e se foi da vontade de Deus, ninguém poderia impedir.

’'Não existe alguém no mundo que eu possa amar mais do que você, não existe também, outro alguém que me faça tão feliz e completo como você me faz, o que eu sei de verdade e que não tenho dúvida alguma é o que eu sinto por você, o mais puro dos amores que já vi, o mais exagerado, o maior, o amor que enquanto mais te dou, mais cresce, o amor que quero levar comigo pra onde for, o amor que preciso todos os dias pra me levantar, o amor que me mantem feliz até nos momentos que não estou com você, aquele amor que uma vida seria muito pouco para explicar. Eu te amo @nahcardoso''
-Fim da narração-.
Voltei pra sala e Luan estava fuçando no celular, preferi ficar sentada na poltrona que tinha e ele se sentou na outra do meu lado.
Eu: O que tanto fuça nesse celular hein?
Disse bebendo um copo de suco.
Luan: Ah to vendo o movimento que causei.
Eu: O que você fez?
Ele pegou meu celular e me entregou.
Eu: Não entendi.
Luan: Entra no instagram.
Entrei no instagram e vi que tinha uma marcação minha em uma foto. Quando li aquele texto que ele havia postado foi inevitável não chorar.
Eu: Luan, que lindo, porque você fez isso?
Ele me abraçou e beijou minha testa.
Luan: Porque me deu vontade de falar mais uma vez pra todo mundo que eu te amo.
Eu: Eu te amo muito mais.
Dei um selinho nele.
Luan: Poderia ao menos escrever algo né?
Eu: Claro que vou escrever.
‘’ É em você que eu encontrei tudo que eu precisava, eu confio em você até de olhos fechados. Confesso que ficar falando coisas bonitas não vai dizer o quanto eu te amo, se pá só um te amo também não vai demostrar o tanto que você é essencial na minha vida. Poxa, nunca pensei que nossa amizade fosse chegar aonde chegou, hoje não me vejo sem você do meu lado, porque é você quem me dá toda aquela força que eu preciso pra seguir em frente sem olhar pra trás, se eu cair eu tenho certeza que uma mão se estenderá para me levantar, e essa mão será a sua, tenho certeza disso. Assim como se um dia tu cair eu vou estar aqui, te estendendo a mão e te levantando de novo. Do seu lado eu sempre vou estar não importa em qual momento for, só sei que eu não vou te abandonar nunca, nunca mesmo. Já não suportaria ficar sem você do meu lado. Obrigada por suportar todas minhas crises, te amo além do infinito @luansantana''
Eu: Pronto, aproveitei minha inspiração e arrasei.
Ele ficou lendo por uns minutos, vi lágrimas escorrerem, logo ele voltou a me olhar.
Luan: Que lindo Nah, eu suportaria todas as suas crises sem dúvida nenhuma, eu te amo muito, e você sabe disso.
Eu: Eu te amo muito mais Luan. Não sei o que seria de mim hoje se não tivesse te conhecido.
Ele se aproximou e me levantou, me puxou pela cintura e embalou um beijo calmo, longo, terminando com mordidinhas.
Luan: Estou com saudades. –sussurrou-.
Eu: Mas agora não pode.
***
Cheguei em Londrina e fui direto pro banheiro tomar um belo banho, meu corpo gritava por uma água fria. Fiquei lá por longos minutos.
Cíntia: Como se sente filha?
Eu: Estou bem mãe. Depois de uma semana em um hospital, nada melhor que um banho gelado né?
Disse me sentado do lado dela e deitando em seu colo.
Cíntia: É bem assim mesmo.
Eu: Faz um cafuné?
Cíntia: Tá folgando não?
Eu: Não, só to com saudade desse colinho.
Ela começou a mexer em meus cabelos ainda molhados, em questão de segundos meus olhos pesaram e eu adormeci.