quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Capitulo 61



Nem eu sabia direito pra onde estava indo, mas de qualquer maneira eu não queria mais ficar perto dele, não daria meu braço a torcer. Cheguei em Londrina e não tinha onde ficar, meus pais estavam na chácara e a chave estava com eles, DROGA! Peguei meu celular e liguei pra uma amiga minha que morava ali, ela me disse que eu poderia ficar lá e que manteria segredo, caso alguém perguntasse. Deixei o carro dos meus pais no condomínio e pedi pro segurança levar até a casa deles e deixar lá. Depois de uns 15 minutos Pedro, irmão da minha amiga Kau chegou. Ele me ajudou com as malas e fomos pra casa dela, que ficava no outro lado da cidade.
Pedro: Está fugindo Naiara?
Eu: Mais ou menos, só quis dar um susto no Luan.
Pedro: Ele deve ta com os cabelos em pé! Em pleno Natal a noiva dele some sem dar notícias, carregando um filho dele ainda.
Eu: É filha, e também a culpa é toda dele, e eu não quero mais falar sobre isso.
Depois de mais alguns minutos chegamos e a casa de Kau estava cheia de carros, na certa havia parentes dela ali, e o interrogatório seria grande.
Eu: Amiga que saudades! –falei já abraçada a ela-.
Kau: Que saudade diz eu né? Só lembrou de mim por que ta fugindo do namorado. –deu de ombros-.
Eu: Fala baixo menina! Esqueceu que eu namoro o cantor famoso?
Kau: É verdade, famoso e gostoso né? –fez piada me fazendo rir-.
Eu: Você vai me esconder de todo mundo aqui! Seus parentes não podem me ver, e isso não pode sair na mídia.
Kau: Relaxa, a gente vai pro meu quarto e te mantenho por lá.
Entramos de mansinho e não havia ninguém na sala. Subimos as escadas um pouco apavoradas e logo eu já estava dentro do seu quarto.
Eu: Não acredito que você viu o Israel!-falei pegando um quadro deles juntos que tinha na sua cômoda. Kau era doida por ele, apaixonadíssima!-.
Kau: Tira a mão ou! –ela disse pegando o porta retrato da minha mão e colocando no mesmo lugar- Isso aqui me pertence, ninguém toca, tenho ciúmes.
Eu: Como você não me contou isso?!
Kau: Eu to ligada que ele já deu moral pra você ta?
Eu: Deixa de ser boba, eu nunca dei liberdade pra ele não!
Kau: Não tem que dar mesmo, só eu posso dar pra esse homem! –ela falou num tom autoritário-.
Ri de sua performance.
Eu: Tu deve ter ficado doida nesse camarim.
Kau: Doida? Eu fiquei foi molhada com os braços e a pegada desse homem! Quase pedi pra ele me chamar de chiclete e grudar em mim!
Comecei a rir dela e ela jogou uma almofada em mim.
Eu: Não muda mesmo né? Doidinha e engraçada como sempre!
Kau: O causador de efeitos é ele, só ele pra me deixar assim.
Eu: Ai meu deus, que amor hein?! Pega ele logo.
Kau: E você acha que eu não quero pegar? To esperando o próximo show.
Ficamos conversando por longos minutos. Meu celular tocou e era Luan, na certa percebeu meu sumiço, recusei a chamada e desliguei meu telefone.
-Luan narrando-
Quando cheguei na chácara corri pra onde todos estavam e não vi Naiara lá, fui até nosso quarto e suas malas também não estavam lá. Ela não pode ter saído assim, sem dar nenhuma satisfação. Voltei pro meio do pessoal e chamei Bruna num canto afastado, que veio logo perguntando onde Naiara estava.
Eu: Não sei Bruna!
Bruna: Como assim não sabe? Vocês não fizeram as pazes?
Eu: Não! Ela saiu e me deixou lá sozinho, e agora as malas dela não estão mais no nosso quarto.
Bruna: Luan seu idiota! E agora? Onde será que ela está?!
Eu: Não sei! Ela não me atende, e agora só da caixa de mensagem.
Bruna: Ta vendo? Se talvez você não tivesse sido tão arrogante com ela, estaria tudo bem agora. A tia vai pirar.
Eu: Calma, não conta pros pais dela ainda.
Bruna: Eles vão sentir falta da filha deles, você é um imbecil mesmo, agora vai já procurar ela!
Bruna praticamente gritou e saiu batendo o pé. Como eu ia procurar ela sendo que não faço ideia da onde ela pode estar?! Ê Luan, o que se foi fazer hein?! Agora sua mulher está gravida, quase nos seus 8 meses de gestação, carregando sua filha no ventre, e talvez as duas corram perigo! Pela mor de Deus, não pensa bobeira, elas estão bem, devem estar na casa de alguém, na casa dos pais delas, é isso! Pedi pra Bruna não comentar nada e fui pra Londrina. Cheguei no condomínio e o segurança me informou que Naiara passou por ali, mas só pediu pra ele levar o carro dos pais e logo um outro carro apareceu e tinha um cara como motorista e a levou. COMO ASSIM UM CARA?! QUEM FOI O FILHO DA MÃE QUE SAIU COM A MINHA MULHER? Agora ferrou tudo mesmo, além de não fazer a mínima ideia de quem seja o playboy que pegou ela, não sei também pra onde foram! Fiquei ali pensando até me lembrar das câmeras de segurança da portaria. Conversei com o segurança e ele me disse que teria como pegar as imagens pra mim, mas que demoraria um pouco,talvez eu conseguisse identificar o cara.
Depois de uns minutos esperando, e praticamente sem dedos, de tanto roer as unhas, ele me chamou e me levou até a cabine. A filmagem mostrava a hora que Naiara chegou, ela ligou pra alguém, logo em seguida levaram o carro de seus pais e ela ficou uns minutos esperando, e em seguida um carro encostou e ela entrou. Pedi pro moço pausar e aproximar a imagem, olhei bem e já sabia quem era, Pedro, o playboyzinho que foi a vida todo louco pela minha mulher! Naiara não seria capaz de me trair com um frango daquele, ou seria? Para de pensar merda, ela tá gravida, não pode ter relação, mas ela tem boca né, pode beijar, chupar... QUE ISSO, PARA! Sai do meu transe e eu não tinha a mínima ideia de onde aquele viado morava, mas eu iria achar, ah se eu ia, o que o LUAN SANTANA NÃO CONSEGUE? Nessas horas que é bom ser famoso, você consegue as coisas rápido!
Sai daquele condomínio e fui pra uma empresa de endereços de Londrina, por ser Natal, não havia muita gente. Entrei e logo pedi pra falar com o Rodrigo, o chefe da empresa, que me atendeu com toda atenção e disse que me ajudaria, mas precisaria do sobrenome do menino. Eu não tinha a mínima ideia de como era o sobrenome daquele babaca, precisava usar a mente. Peguei meu celular e fui pro instagram, corri nos seguidores da Naiara, e PUTA QUE PARIU, ela tinha muitos, até eu achar aquele idiota já é Réveillon. Depois de uns 15 minutos procurando encontrei ele que usava o user como ‘’pee_cantuária”. Além de gay, tem o sobrenome de mulher. Mostrei ao seu Rodrigo que logo imprimiu três endereços, três famílias com esse sobrenome, vou ter que voar pra encontrar esse cara! Agradeci e sai dali praticamente correndo. Primeiro endereço era próximo ali, família pobre então nem bati palma, ele era bem sucedido, sem condições de morar ali. No segundo endereço era em um condomínio fechado, talvez fosse a casa dele, mas quem me atendeu foi uma senhora muito mal educada, e disse que ali não morava nenhum Pedro. Me restou o último endereço que era do outro lado da cidade, AVE MARIA, já ta anoitecendo e eu aqui ainda. Depois de meia hora, cheguei em frente a uma casa um tanto luxuosa, toquei a campainha e uma moça veio me atender, ela tinha o rosto familiar.
Eu: É.. Oi, eu gostaria de falar com o Pedro, ele está?
A moça paralisou na porta e não falava nada, vi ela olhar pra trás e rapidamente ergui minha cabeça para tentar ver algo, mas ela quis fechar a porta, o que foi em vão, eu era homem e mais forte, e segurei a porta e acabei entrando sem nem pedir licença. Assim que pisei naquela sala, ali estava a Naiara, sentada no sofá vendo tv, e lá vinha aquele playboyzinho sem camisa com um pote de pipoca nas mãos.
-Fim da narração-
Passei a tarde toda conversando com a Kau e comendo muito. No fim da tarde tomei um banho e coloquei um macaquinho que eu amava, Pedro inventou de assistir um filmee foi fazer a pipoca, enquanto Kau já escolhia o filme. A campainha tocou e ela foi atender, estranhei ela não falar nada, ouvi uns rugidos e quando olhei pra trás, meu coração disparou e minhas pernas bambearam. Luan estava ali, com um olhar um tanto furioso e preocupado também, como ele conseguiu vir até aqui?
Eu: O que você tá fazendo aqui? –disse me levantando e parando em sua frente-.
Luan: Eu que te pergunto o que VOCÊ tá fazendo aqui? Ou acha que eu não vi que você pegou carona com esse playboyzinho aí.
Pedro: Playboy não, eu tenho nome mané.
Luan: Fica na sua que meus conceitos com você não são os melhores.
Eu: Andou me seguindo agora?
Luan: Não! Pelo contrário, eu fiz um longo trajeto pra encontrar vocês! Fiz os seguranças do condomínio dos seus pais me mostrarem as filmagens, minha sorte foi ter reconhecido a cara de mané  desse babaca e ter ido em uma empresa procurar pelo endereço dele. Que por via não foi fácil também, porque fui obrigado a ver cada um dos seus seguidores pra poder descobri o sobrenome dele e depois andar por três endereços diferentes até chegar aqui.
Ouvir ele falar aquilo me deu um nó no peito, não acredito que ele havia feito tudo isso só pra me encontrar.
Eu: Nossa, eu não imaginava que você iria fazer tudo isso...
Luan: Eu fiz tudo isso porque eu te amo e não sei viver sem você! Você saiu sem dar explicações e meu coração ficou em pedaços, com medo de acontecer algo com você e nossa filha, com medo desse babaca te roubar de mim.
Pedro: Luan Santana com medo de perder pra mim? A coisa ta boa pro meu lado então.
Kau: Cala a boca Pedro!
Luan: É melhor você ficar quieto mesmo seu frango!
Eu: Luan... eu não queria causar tudo isso, mas é que eu fiquei muito magoada com o que aconteceu, e a primeira coisa que veio em mente eu fiz. Não gosto de brigar com você, e você tá cansado de saber disso. Só queria que pensasse sobre seus atos e se arrependesse do que fez.
Luan: Mas do que eu estou arrependido? A Bruna quase me matou, e a essas horas devem estar todos sentindo a nossa falta. Vamos terminar nosso Natal em clima de paz amor, a gente não merece tudo isso.
Mais uma vez meu coração se rendeu á ele, mais uma vez eu fracassei. Porque ele tinha tanto poder sobre mim assim? Porque eu nunca conseguia dizer não? Olhei pra Kau e ela me fez um sinal de sim com a cabeça. Olhei Luan um pouco tímida e ele coçava a nuca, e tinha um olhar que parecia suplicar minhas desculpas.
Eu: Eu sempre volto pra você, e acho que vai ser sempre assim. Eu te amo tanto, mas tanto, que você se tornou meu ponto fraco, meu ponto de equilíbrio.
Luan: Você não faz ideia do alívio e da felicidade que meu coração tá sentindo nesse momento, não faz ideia do tamanho do meu amor por você e por nossa pequena que em poucos meses já vai estar no meio de nós. Eu não amo você, eu vivo você, e vai ser pra sempre!
Já com os olhos marejados, me joguei em seus braços e selei nossos lábios, um beijo calmo e cheio de amor. Finalizei com selinhos e olhei Kau, que estava derramando algumas lágrimas.
Kau: Ai que fofos!
Eu: Existe homem melhor que esse?
Kau: Existe amiga, mas não vem ao caso. –ela piscou e eu ri, deixando Luan sem entender-.
Luan buscou minhas malas e eu me despedi de Kau, que prometeu me fazer uma visita ainda. Voltamos pra chácara e Luan não parou de falar o caminho todo, dizendo pra eu nunca mais fazer isso, que quase fiquei viúva antes da hora. Chegamos lá e estavam todos na sala, e assim que me viram suspiraram um ‘’ ufa’’ juntos. Minha mãe correu me abraçar e perguntar se estava tudo bem, Bruna e Marizete também fizeram o mesmo, e me fizeram prometer que nunca mais faria isso.
Eu: Foi de imediato, tava tão magoada que agi sem pensar.
Mãe:Mas não pode filha, quase matou a gente do coração.
Bruna: Eu quase cometi um assassinato Naiara! Se tivesse acontecido algo com você e minha sobrinha, eu ia matar o Luan!
Marizete: Não faça mais isso hein?! Acho que agora meu filho aprendeu a lição.
Eu: Eu espero que ele tenha aprendido mesmo. Mas eu já to aqui, to bem, e isso que importa né?  Agora eu quero jantar, que estou morta de fome!
Marizete: Opa, a comida está servida, estávamos esperando por vocês mesmo.
Fomos todos jantar, e terminamos nossa noite em finalmente um clima verdadeiramente de Natal, com paz, amor, muitas risadas e música, na voz do homem mais lindo e incrível do mundo, MEU LUAN RAFAEL!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Capitulo 60

Acordei no outro dia e Luan ainda dormia, posso dizer que mais parecia estar desmaiado. Olhei no relógio e marcava 9:30 da manhã, levantei e fui fazer minhas higienes. Coloquei uma blusa regata com uma saia longa e calcei meu chinelo. Luan ainda dormia e preferi não acordá-lo, já que na noite passada, ele havia abusado da bebiba e eu sei que acordaria num mal humor terrível e com dor de cabeça, e posso imaginar que esse dia de Natal não vai ser muito bom pra ele, mas quem sabe isso não sirva de lição.
Desci pra tomar meu café e alguns tios de Luan já estavam acordados, Marizete e Amarildo também, exceto Bruna e o restante das meninas.
Amarildo: Bom dia, pulou da cama foi? –ele disse num tom sarcástico, que me fez rir-.
Eu: Bom dia gente! Perdi o sono.- disse me sentando-.
Marizete: Luan ainda dorme?
Eu: Sim, e creio que não vai acordar tão cedo.
Amarildo: Bebeu muito?
Eu: Sim, eu pedi pra ele manerar, mas ele disse que era Natal, e que ele merecia.
Marizete: Esse menino não toma jeito, vai perder o dia todo, com o mal humor que ele acorda e a ressaca.
Eu: Tirou as palavras da minha boca Mari. –ri-
Chico: Deixem o rapaz gente, ele é jovem ainda, tem que aproveitar.
Amarildo: Mas ele tem que saber que pra tudo tem limite também!
Chico: Mas ele sabe disso, só quis aproveitar, ele vive na correria o ano todo, vocês sabem que o Natal pro Luan é uma das melhores datas e festas comemorativas do ano, ele merece, quanto a ressaca, é normal. Nada que um banho gelado e um café forte não resolva.
Amarildo: Você sempre defendendo o Luan né? Não muda nunca!
Chico: Não defendo ele, mas tentam entender o lado dele também.
Eu: Está certo, mas o mal humor dele ninguém cura.
Chico: Ah, cura sim, é só você ficar lá dando carinho pra ele.
Ri negando com a cabeça e confesso ter ficado um pouco envergonhada. Terminamos de tomar café em um clima ótimo e logo meus pais apareceram, o que me fez zuar eles, já que eu acordei primeiro que eles.
Eu: Depois a filha que é maria dorminhoca.
Mãe: Perdemos a hora, me perdoe Marizete, mas é que ontem fomos dormir tarde.
Marizete: Magina, acabamos de tomar café, podem se servir, por favor, já são de casa.
Continuei com elas ali na cozinha, enquanto os homens estavam arrumando as coisas pro churrasco.
Mãe: Filha, ano novo você vai viajar com Luan?
Eu: Sim, ele pediu e eu não tive como recusar, ele não quer virar o ano distante da filha e da futura esposa dele.
Marizete: Luan é muito cuidadoso, de certo não iria deixar elas ficarem longe dele. E o casamento, já conversaram sobre isso?
Eu: Sim, na verdade falamos por cima, ele quer começar a organizar depois do nascimento da Alice, mas eu quero marcar mais pro meio do ano, pra não ficar muito corrido.
Marizete: Tem que ser por aí mesmo, e ele tem que ver que ele tem a rotina doida dele, tem que organizar tudo certinho, e sem correria.
Mãe: Mas e a casa que ele já comprou?
Eu: Ele foi um louco gente, Luan é muito ancioso, acho que essa casa foi uma desculpa pra nos casarmos logo.
Marizete: Vocês podem se mudar pra lá depois que Alice nascer.
Eu: E o meu apartamento que ta com o quarto dela pronto?
Mãe: É verdade.
Marizete: Vende o apartamento, sempre tem casais com crianças procurando um.
Eu: Foi presente dos meus pais, não posso vender.
Mãe: Filha, mas ele é seu, e vai ser um dinheiro seu também, não tem nada.
Eu: Não sei gente, vou conversar com Luan, ver o que ele acha.
Marizete: Já começou certo.
Eu: O que?
Marizete: Falou que vai falar com Luan primeiro, e quando a gente se casa, é assim que as coisas funcionam, um não pisa sem apoio do outro.
Eu: Mas acho que se não for assim, não da certo né?
Mãe: Pior que não. Seu pai não faz nada sem me consultar, e olha que eu nem me importo dele fazer as coisas sozinho.
Marizete: Amarildo também não, até quando Luan e Bruna eram pequenos, ele me consultava antes de comprar algum brinquedo pra eles.
Mãe: Imagine quando Alice nascer, acho que toda viajem que Luan chegar vai trazer um bucado de coisas pra ela.
Eu: Ele que não ouse, não quero criar filha mimada não, nem quero que ela seja egoísta só porque o pai dela é o cantor famoso.
Marizete: Em questão de ser mimada acho difícil, mas na parte do egoísmo você tem total razão, e eu vou ensiná-la também. Isso não torna a gente diferente de ninguém.
Mãe:  Concerteza! Essa menininha vai ser uma princesa, você vai ver. Luan é uma pessoa estretamente humilde e carismática, e você também filha, então não tem com o que se preocupar.
Eu: Só espero que ela não seja cabeça dura quanto o pai.
Mãe: Nem complique as coisas quanto a mãe.
Rimos e ficamos ali jogando papo fora. Por volta das 12:00 as mulheres estavam preparando o almoço e não me deixaram ajudar, então resolvi ir ver se Luan já havia acordado. Entrei no quarto e ouvi o barulho do chuveiro, a cama estava toda bagunçada e tinha uma peça de roupa sobre a cama.
Eu: Amor? –disse batendo na porta do banheiro-.
Luan: Já to saindo –falou um tanto seco-.
Enquanto isso, arrumei a cama e recolhi algumas coisas que haviam ali jogadas, Luan sempre desorganizado. Depois de uns minutinhos ele saiu apenas de cueca, secando o cabelo com a toalha.
Eu: Boa Tarde.
Luan: Boa Tarde. –ele me deu um selinho e foi se vestir-.
Eu: Dormiu bem?
Luan: Parece que um caminhão passou em cima da minha cabeça. –disse e fez careta-.
Eu: Eu avisei né Luan? Vamos descer você toma um café forte que logo passa.
Luan: Isso de café não resolve nada.
Eu: Sua mãe deve ter um remédio.
Luan: Eu bebi muito?
Eu: Sim, passou de todos os limites, mas nada que um banho não resolvesse.
Luan: Você me deu banho?
Eu: Digamos que te ajudei você não tinha condições, e eu não ia dormir com você cheirando álcool.
Luan: Ficou louca? Você poderia prejudicar a nossa filha sabia? Me jogasse na sala, mas não me desse banho Naiara, você se arriscou demais.
Eu: Luan eu to grávida, não doente. E além do mais, você é meu noivo, eu não ia te deixar jogado.
Luan: Mesmo assim, e se acontecesse algo? Eu iria me culpar a vida toda!
Eu: Eu não quero brigar ok? E não aconteceu nada, eu só fiz o que você fez comigo várias vezes, agora se você não gostou, o problema é seu.
Luan: Eu falei que não gostei? Eu só disse que se arriscou.
Eu: Eu já sabia que você ia acordar de mal humor. Se for descer pra lá, pra ficar jogando pedra em todo mundo, é melhor ficar aqui sozinho, porque ninguém tem culpa se você bebeu demais e agora ta aqui com ressaca!
Bati a porta e sai do quarto. Eu sabia que ele iria acordar de mal humor, mas brigar comigo por ter ajudado ele? Qual é? Eu não fiz nada demais, Luan é um ingrato isso sim! Além de ter alguém pra cuidar dele, ainda reclama.
Marizete: Luan acordou?
Eu: Sim, e se eu fosse você não subia lá, acabei de ser escumungada.
Marizete: Esse menino não toma jeito, vai perder o dia todo com o mal humor dele.
Eu: Eu nem falo nada, tentei avisar, mas ele é teimoso.
Marizete: Vou lá falar com ele.
Eu: Coloque um colete pra não correr o risco de ser atingida por uma bala perdida.
Ela riu e subiu as escadas rumo ao quarto de Luan, enquanto eu fui pra área da piscina junto do pessoal.
-Luan Narrando-
Acordei com uma ressaca daquelas de doer até os nervos. Como de costume eu e a Naiara discutimos, e a culpa? Da minha ressaca incontrolável que me deixava insuportável. Resolvi ficar mais uns minutos no quarto até me acalmar um pouco, afinal, era Natal, clima de festa e paz para todos. Mas logo bateram na porta e quando mandei entrar, já esperava uma puta bronca da senhora minha mãe Marizete.
Mãe: Posso saber por que ta aqui ainda?
Eu: To esperando meu mal estar passar.
Mãe: E desde quando nós temos culpa do seu mal estar Luan?
Eu: Mãe, olha, é Natal, não to afim de brigar não.
Mãe: E quem veio brigar? Só vim aqui te alertar que sua esposa está um tanto chateada com você, porque você extravasa nas bebidas e acha que ela tem culpa, sendo que até banho ela te deu, se arriscou até demais, tudo porque se importa com você. E em troca ela recebe sua ingratidão ainda.
Eu: Eu não pedi pra ela me dar banho ok? Além do mais eu trabalho o ano inteiro, e chega no Natal, a festa que eu revejo toda minha família, eu ainda sou obrigado a ser monitorado? Ah pelo amor de Deus né mãe? Eu não sou nenhum menino de ferro não, tenho lá minhas necessidades e vontades.
Mãe: E alguém ta te monitorando? Alguém te impediu de beber Luan? Não! Ninguém aqui pediu pra você não beber, você só precisa aceitar as consequências do que você faz, e parar de descontar as coisas nos outros.
Eu: Ok, tabom, eu to morrendo de dor de cabeça, pode me deixar sozinho agora? E faz um favor? Pede pra Naiara subir aqui, quero falar com ela.
Mãe: Se você quiser, você vai até ela e se desculpe, ela não é obrigada a fazer seus gostos, e além do mais ela está gravida! Mulheres grávidas ficam mil vezes  mais sensíveis. Arruma essa cara e se ajeita, só ta faltando você lá em baixo, logo o almoço ta pronto.
Minha mãe saiu do quarto e eu fiquei lá jogado. Mais uma vez a culpa é minha, até no Natal eu sou pressionado pela minha família, não posso nem curtir em paz mais. Agora pra completar tem a Naiara que está chateada, e sei que vou levar uma chuva de balas quando for me desculpar com ela. Vamos lá Luanzin, você consegue, não vai ser tão difícil domar a fera.
Desci pra cozinha e avistei todos na piscina, cumprimentei todos que estavam lá, mas não vi Naiara.
Eu: Piroca,você viu a Nah?
Bruna: Ela estava tão tristinha hoje. –fez bico-.
Eu: Ta, mas onde ela ta?
Camila: Ela tinha me falado que ia dar uma volta pra refrescar a mente.
Eu: Ok.
Sai de lá e fui procurar por ela. Andei uns 15 minutos até avistá-la sentada em baixo da mesma árvore que eu sempre me sentava quando ficava cabisbaixo. Ela tinha a cabeça baixa, mas logo se levantou quando ouviu meus passos. Olhei seus olhos e eles estavam vermelhinhos, droga! PARABÉNS LUAN, ELA ESTÁ CHORANDO, IDIOTA!
Eu: Que foi amor? –falei me sentando ao seu lado-.
Naiara: Nada! – ela respondeu seca e virou a cara enxugando mais uma lágrima-.
Eu: Não precisa chorar Naiara, você sabe que eu fico chato quando tenho essas ressacas. Me desculpa.
Naiara: Não precisa chorar? Você bebe mais do que o normal, eu tento te ajudar e ainda recebo sua ingratidão em troca!
Eu: Amor, não é ingratidão, mas você se arriscou demais. Poderia ter prejudicado nossa filha, tenta me entender também, eu trabalho o ano todo, chega o Natal, a festa que eu revejo todos meus familiares, a festa que tenho paz e liberdade, e ainda querem me privar disso?
Naiara: Alguém aqui te privou de alguma coisa? Eu falei pra você não beber, não se divertir? Eu só disse pra maneirar na bebida Luan! Porque eu sabia que hoje iria acontecer isso, quis poupar nós dois de discutirmos em pleno Natal, mas você como sempre não deixa de ser teimoso.
Respirei fundo pra não magoá-la mais. CARALHO, HOJE É O DIA!
Eu: E agora a gente vai ficar assim? Por causa de uma noite que eu passei bêbado? É isso mesmo?
Naiara: Não coloca a culpa na bebida não, a culpa é sua! Sua cabeça é o seu guia, você bebeu porque quis, e ninguém tem culpa da sua ressaca também. Aprende a lidar com as consequências das suas atitudes, pra depois ter moral de querer me ensinar alguma coisa.
Eu: Eu não quero brigar ok? Já pedi desculpas, mas to vendo que você não quer ficar numa boa comigo mesmo.
Naiara: Pode falar o que quiser, rolar na grama, comer folha, eu não vou te dar esse gostinho. Quando você aprender a lidar com suas atitudes, aí você vem falar comigo ok? Tenha um feliz Natal e aproveite sua família, não vou te atrapalhar mais.
Eu: Onde você vai?
Naiara: Não te interessa, e não vem atrás de mim! Não me irrita mais, por favor!
Naiara havia se levantado e andava depressa rumo a casa. Ela estava mais nervosa do que nunca, jamais vi ela numa raiva tão grande. Deixei ela ir e quando estava quase sumindo da minha vista, acelerei meus passos e fui atrás dela.
-Narração off-.

LUAN ERA UM IDIOTA MESMO. CONSEGUIU ESTRAGAR MEU NATAL! Fui pro quarto e peguei minhas malas, desci rápido sem que ninguém percebesse e com um esforço danado coloquei todas dentro do carro dos meus pais. Olhei em volta e não havia ninguém pra me ver ir embora, entrei no carro e respirei fundo. Contei até 10 e sai cantando pneus.
_________________________________________________________________________________
VISHHHH, O CASAL BRIGOU EM PLENO NATAL? LUAN SÓ PIORA AS COISAS TAMBÉM COM ESSA TEIMOSIA DELE, E AGORA? PRA ONDE SERÁ QUE A NAIARA VAI?